sexta-feira, 12 de julho de 2013

Quero ser Venerável!!!

Crônica de Millor Fernandes.

Contribuição do Irmão Gilmar Geraldo M.'.I.'. (Luz e Fraternidade)


Tô falando....não param de me perseguir! Estão sempre contra a minha pessoa. E ainda se dizem irmãos. O negócio é que a Loja estava um marasmo. "Tava um saco".

Aliás, por falar nisso, sempre preferi AMASSARMARIA à Maçonaria, vocês sabem. Só tem um negócio lá que atrai: O PODER!

Foi aí que resolvi: quero ser Venerável! Comecei a conversar com os caras, mas eles me vieram com um papo de que era cedo, que eu não tinha sido secretário...! Função subalterna, trabalha mais do que fala. Jamais! 

Não tenho tempo para isso... QUERO MESMO É SER VENERÁVEL! Mas tudo tem seu jeito. Os dias passaram, bati papo com uns e outros, fui enrolando. Fiz um leilãozinho de cargos.

Pouco trabalho e muita pose. As Vigilâncias vão para dois alérgicos ao trabalho. Nada de preparar Instruções. Se elas já estão escritas, quem quiser que leia, bolas.A oratória vai para um caso patológico de exibicionismo que precisa de platéia - vai ter sempre! E por ai continuei...

Quanto àquelas condições de elegibilidade, atropelei todas. Pra freqüência, atestado médico comprovando ‘Mal de Escroque’. Nada como uns livrinhos misticistas. Dou uma cheirada neles e viajo no esoterês...

Bons costumes? Não tem problema, eles ainda não me conhecem direito...

Capacidade administrativa? Bah, administração é coisa para jogar em cima do secretário. Meu negócio é bater malhete e usar paramento. O resto, eu leio e só assino.

Mas tem uma turminha que se acha dona da Loja só porque não falta, arruma e desarruma o Templo, chega cedo, comparece no Tronco ou na obra de amor e outras besteiras dessas. Eles resolveram lançar um candidato deles. Mesmo que ele não tenha chance, não custa pichar um pouco.

Como dizia meu guru, "da calúnia sempre fica alguma coisa..." Fui armando nos bastidores, fazendo cabalas com minha grande capacidade de persuasão... Vocês sabem, ele é muito jovem, não presta para mandar...

Comprei presentinhos, fiz longos discursos e botei algumas notas no Tronco (pô que desperdício). Prometi, bajulei e menti. Beijei criancinhas, abracei sogras, fui a batizado e enterro. Enfim, tornei-me o candidato ideal.

O outro boboca, coitado, nem fez campanha. Apresentou um tal plano de trabalho que fazia jus ao nome, só falava de trabalho. Argh! Ninguém deve ter gostado.

Chegou o grande dia da eleição, eu lá tranqüilo, já até pensando na reeleição. Aliás preciso até ver quantas vezes é permitido, de repente, dá até para mudar o regulamento... Por falar nisso, será que venerável é como comprar toca-fitas: instalação é de graça? Não importa. Se não for, ponho na conta da Loja, junto com as dos paramentos, que já mandei fazer, bordados a ouro.

Enfim, o grande momento. Começa a apuração.

Há Unanimidade, estão dizendo. É a glória. Eu mereço...O quê...? Ganhou o outro? Não absurdo! É roubo! E o meu voto e os compars..., quero dizer, correligionários? Heim...? Não tínhamos freqüência? Vocês não me merecem.

Vou fundar uma outra Loja, para ser Venerável.

Vocês ainda vão ver a ‘VIGARICE & PICARETAGEM’ em funcionamento ainda este ano. Quero meu Quit Placet! O quê? Tem de pagar? Deixa pra lá então!


TFA


Ir.·. Millôr Fernandes (?)


sexta-feira, 5 de julho de 2013

OS INCONFIDENTES E A MAÇONARIA

Contribuição do Irm.'. José Carlos Barsani Mendonça (Luz e Fraternidade)

Na metade do século XVIII, vários acontecimentos estavam modificando o mundo. Em 1776 os Estados Unidos da América, após muitas lutas, libertou-se da dominação Inglesa e realiza a sua independência.  Em 1789 na França a população acabou com o privilégio do rei e dos nobres, este movimento ficou conhecido como a Revolução Francesa, cujo lema era Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Na Inglaterra acontecia a Revolução Industrial, surgiam as máquinas, as fábricas e a energia a vapor.

Portugal era um país pobre, com muitas dívidas, mas possuía uma colônia , o Brasil. Grande parte do ouro brasileiro ia para a Inglaterra, como o ouro estava acabando, o rei resolveu explorar mais ainda a região das minas. Tomou várias medidas que aumentaram a revolta da população, proibiu instalações de engenho, fechou fábricas de tecidos para que os negros trabalharem nas minas e proibiu o uso das estradas do interior para o litoral para evitar o contrabando.

Determinou que os impostos atrasados do quinto do ouro não poderia ser inferior a 1.500 kg de ouro por ano – a temida derrama- os soldados invadiam as propriedades as casas e pegavam tudo que  tinha valor.

Mineradores, poetas, escritores, coronéis, padres e outros populares se uniram para se rebelar no dia da derrama. Entre eles Joaquim José da Silva Xavier que era um dos participantes mais destacados do movimento. Viajava constantemente pela região na tentativa de conquistar mais adeptos para a causa que defendia

Jovens brasileiros que estudaram  na Europa sobretudo na universidade de Montpellier e Paris , regressavam empolgados pela maçonaria na Europa no sentido de assegurar os direitos que dignificam o homem, alguns desses jovens iniciado no Rito Francês foram Domingos Vidal Barbosa, José Joaquim de Maia e  José Alvares Maciel. Esses jovens iniciaram a maçonaria no Brasil.

José Álvares Maciel uniu-se aos conjurados entre eles Tiradentes, Cláudio Manoel da Costa, Thomaz Antonio Gonzaga , Inácio José de Alvarenga Peixoto, Domingos Abreu Vieira, Francisco Antônio de Oliveira Lopes, Luís Vaz de Toledo Piza, Francisco de Paula Freire de Andrade ,Salvador Carvalho do Amaral Gurgel, José Resende Costa, José Resende Costa Filho, Domingos Vidal Barbosa, Vicente Vieira da Mota, José Aires Gomes, João da Costa Rodrigues, Antonio de Oliveira Lopes,Victorino Gonçalves Veloso, João Dias Motta, Francisco José de Melo , Manoel da Costa Capanema , Faustino Soares de Araújo, José da Silva de Oliveira Rolim, Manuel Joaquim de Sá Pinto do Rego Fortes, Fernando José Ribeiro, José  Martins Borges

No livro a maçonaria e a inconfidência mineira de Arci Tenório D`Albuquerque afirma que a maior parte dos inconfidentes eram  maçons.

Vários historiadores maçons não aceitam os inconfidentes como maçons. Um fato histórico sem documento que comprove sua veracidade deixa de ser um fato para ser uma possibilidade ou, o que é uma invencionice que  de histórica não tem nada. Não se faz historia por ouvir dizer ou imaginando fatos. A 1º Loja Simbólica regular foi instalada em 1.801 cujo nome era Reunião, filiada ao Oriente da França. Alegam que nos autos da devassa que ocorreu na inconfidência mineira não consta em nenhum momento a presença da maçonaria. Não acharam nenhum livro ou ata que constassem que eles fossem maçons. Entre esses historiadores estão José Castellani, Raimundo Rodrigues, Frederico Guilherme Costa e outros. José Castellani escreveu o livro A Conjugação Mineira e a maçonaria que não houve.

No livro psicografado por Marilusa Moreira Vasconcelos , pelo espírito de Tomás Antonio Gonzaga, cujo título é Confidencias de um Inconfidente, narra-se a Inconfidência Mineira e que a maior parte dos inconfidentes eram maçons e que Tiradentes e Aleijadinho eram veneráveis. Como o livro foi psicografado os historiadores não podem aceitar isto como uma verdadeira prova. Mas caminhando pelos caminhos de Ouro Preto, na igreja, no museu e em Congonhas do Campo deparamos com várias obras de Aleijadinho com sinais maçônicos. Fomos até a Loja Maçônica que eles frequentavam, as cores são branca e azul. Situa-se num ponto alto e estratégico.  

No livro de Marilei Moreira Vasconcelos, cujo titulo é Aleijadinho Iconografia Maçônica, ela prova participação do Aleijadinho na Maçonaria. Eis alguns intens.:

*A  igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, tem o formato semi- circular simbolizando a abóboda celeste, o cosmo.
*A fachada é suportada por duas colunas (templo de Salomão , J e B).
 *A cruz em cima da igreja tem dois braços  ladeadas por duas romãs.
 *A cruz com dois braços lembra uma espada embainhada.
*As duas torres arredondadas lembram o chapéu mitraíco, usado pelo venerável.
*No alto da coluna há dois canhões onde pelos parece escorrer  água e mais dois canhões atrás formando uma cruz, formando os pontos cardeais.
*O canhão é o nome que se designa a taça ou o copo no banquete maçônico.
*A imagem de Nossa Senhora é circundada de 12 estrelas de 5 pontas e a lua crescente.
* Do lado esquerdo está o Pai eterno segurando com a mão esquerda o globo celeste e atrás de sua cabeça um triângulo vazado.
*Na abóbada um Anjo de asas abertas cercado por grupos de três anjinhos, formando um triângulo  num total de doze anjos.
* No lavabo no alto duas figuras de anjos de corpo inteiro virado para frente do observador , um segura a ampulheta e o outro a caveira.
* A baixo da figura de um anjo a um homem vendado.
* Os anjos de corpo inteiro em número de cinco forma pelas suas posições dois triângulos sendo o de cima com o vértice para baixo e o de baixo com o vértice para cima.
*  No forro o mestre Ataíde gravou o hinário maçônico.
* Na porta da Igreja de São Miguel das Almas , na parte superior assenta um nicho com São Miguel ele esta com os pés em ângulo de 90º graus.

Em Congonhas encontra-se as Capelas dos Passos.

  • São sete capelas, para ir de uma capela a outra seguindo a ordem exata , tem que caminhar em um zique zaque gigante idêntico o andar do mestre maçom.
  • São sessenta e seis figuras. Trinta e três de cada lado.
  • Jesus na capela do horto , esta com o  ombro direito desnudo , braço em ângulo de 90º .
  • Ataíde utiliza as cores vermelha , azul e branca , nas pinturas
  •  Na prisão , a figura de Jesus e de Pedro os pés descalços em posição a formar o ângulo de 90º
  • Com a cruz nas costa Jesus tem os pés em ângulo de 90º
  • Na crucificação, uma mulher está de joelhos seu pé direito e seu braço direito estão desnudos , o braço esquerdo está vestido e seu pé esquerdo calçado com uma bota.
  • Na igreja do Bom Jesus de Matozinho, o chão do adro, todo de pedra um gigantesco mosaico como da Loja.
  • Nessa igreja não pode filmar nem tirar fotos, vimos nas pinturas do mestre Ataíde , sinais de companheiro, pés em ângulo reto , o delta , etc.
  • Na frente da igreja estão os profetas, retratados com a fisionomia dos inconfidentes.
1- Isais – Joaquim José da Silva Xavier ( Tiradentes)
2 - Jeremias – Cláudio Manoel da Costa
3 - Baruc – Thomaz Antonio Gonsaga
4 - Ezequiel – Inácio  José de Alvarenga Peixoto
5 - Daniel – José Álvares Maciel
6 - Joel – Salvador Carvalho do Amaral Gurgel
7 - Jonas – Manoel Joaquim de Sá Pinto do  Rego  Forte
8 -  Amos –  Antonio Francisco Lisboa ( Aleijadinho)
9 -  Naum – Domingos Abreu Vieira
10 - Abdias – Francisco de Paula Freire
11 – Habacuc – Antonio Oliveira Lopes
12 - Oseias  - Domingos Vidal Barbosa

As duas primeiras estátuas Isaias ( Tiradentes) e Jeremias ( Cláudio Manoel da Costa) são diferentes das demais, pois representam  as duas colunas J e B. Os dois conjurados mortos no movimento inconfidente.
  • A posição de Ezequiel é o sinal da ordem. Mão direita ao nível da garganta, onde o braço quase na horizontal , o polegar esticado formação de um esquadro. O movimento é feito rapidamente. Sua cabeça está voltada pra o lado oposto da mão erguida , e o pescoço esticado , pronto para o movimento da mão sobre ele.
  • Oséias , calça botas , seus pés estão em posição de 90º , na mão direita traz uma pena , que repousa sobre o manto.
  • Daniel personagem figurado pelo orador , nas oficinas do grau 15º do Rito Escocês  em alusão ao profeta Rebeu.
  • Joel os pés estão em ângulo 90º.
  • Os desenhos nas túnicas e mantos dos profetas aparecem folhas de acácias , algumas letras como o M e o G .
Sabendo que o Aleijadinho fez vários trabalhos em outras cidades mineiras como  São João Del Rei , Mariana , Sabará etc. Talvez encontre em suas obras , símbolos maçônicos.

A finalidade desse trabalho foi para conhecer sobre a inconfidência mineira e a participação da maçonaria.

Para isso li os livros a vida de Aleijadinho, Tiradentes, confidencias de um inconfidente, Aleijadinho icnografia maçônica, de Mario a Tiradentes, A maçonaria e a Inconfidência Mineira e  Joaquina a filha de Tiradentes. Nesse livro o autor narra  que o escravo de Tiradentes,  levava dinheiro para a mãe de Joaquina a pedido de um fazendeiro, acredita-se que esse dinheiro seria uma ajuda dos irmãos da maçonaria.
Sabendo que a primeira Loja maçônica regular foi instalada em 1801, e que a inconfidência mineira se deu em 1.789, talvez por isso os inconfidentes não foram reconhecidos por estes historiadores.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sessão Magna de Instalação e Posse

Na última segunda feira, 24/06, dia de São João nosso Padroeiro, ocorreu a Sessão Magna de Instalação e Posse do Venerável Mestre e da nova Diretoria da ARLS Luz e Fraternidade para o biênio 2013-2015.

Com a presença do Delegado Regional do GOB/MG, Mestres Instalados de Lojas co-irmãs e visitantes, a Sessão foi muito bem conduzida pela Comissão Instaladora.

A Diretoria da Loja ficou assim constituída:

Venerável Mestre: José Lauro
1º Vigilante: Nilo Siqueira
2º Vigilante: Gustavo Tiveron
Orador: Raphael Molina
Secretário: Paulo Sadao
Tesoureiro: Gilmar Geraldo
Chanceler: Fábio Zambrano
Mestre de Cerimônias: Murilo Tarquínio

Após a Sessão os IIrm.'. se confraternizaram em um delicioso Ágape.








sábado, 22 de junho de 2013

Convite

Atenção Irmãos

Na próxima segunda-feira (24/06) às 20:00 teremos Sessão Magna de Instalação do novo Venerável de nossa Oficina Irm.'. José Lauro Vieira.

Estão todos convidados!!!

TFA!!!

17/06/2013

Na última segunda-feira, 17/06, como era feriado maçônico, não houve sessão regular. No entanto, treze Irmãos da Loja reuniram-se fraternalmente na casa do Venerável Irm .'. Fábio Zambrano. 

Nesta oportunidade, o Venerável fez um balanço de sua gestão apontando os erros e os acertos. Aproveitamos também para planejar a Sessão Magna de Instalação que ocorrerá na próxima segunda 24/06.

Ao final podemos nos confraternizar com pizzas, refri e uma cerveja geladíssima.

Estavam presentes os IIrm.'. Fábio Zambrano,  Nilo, José Lauro, Gustavo Tiveron, Paulo Sadao, Raphael Molina, José Carlos, Helio, Cláudio, Murilo, Marcelo Branco, Bernardo e Marcelo Fonseca.





sexta-feira, 14 de junho de 2013

Os dez apelos do Aprendiz Maçom

I. Ensina-me Mestre, a desbastar minha pedra bruta, com a prática que adquiristes ao desbastar Tua própria pedra.

II. Ensina-me Mestre, a caminhar na marcha do meu grau, no grande Templo Maçônico, que é o mundo lá fora, caminhando Tu, à minha frente, como meu líder, nos caminhos do Bem, da Verdade e da Justiça.

III. Ensina-me Mestre, a ser livre de vaidades, ambições e servilismos que amesquinham o homem, vendo eu em Ti, o Mestre livre de tais sentimentos.

IV. Ensina-me Mestre, o dom que tens de perdoar, esquecer e compreender as fraquezas de todos os homens, enaltecendo suas virtudes, para que eu, como teu discípulo, possa também saber perdoar, esquecer e compreender as fraquezas de todos os homens, enaltecendo suas virtudes.

V. Ensina-me Mestre, a trabalhar como trabalhas, anonimamente, em favor de uma boa causa, fugindo como Tu foges, dos aplausos frívolos, fáceis e das honrarias vulgares.

VI. Ensina-me Mestre, os bons costumes pelos quais temos de saber ouvir e de saber calar nos momentos certos, mas principalmente o dom, que temos de lutar em favor dos que clamam por pão e justiça social.

VII. Ensina-me Mestre, a ser como Tu és, a todos os momentos, um simples, mas forte tijolo da Ponte de União entre os homens, e nunca um ponto de discórdia entre eles.
VIII. Ensina-me Mestre, a cultivar em meu coração, todo o respeito e amor que cultivas entre os homens, e principalmente com Tua família, para que possa, cada vez mais, espelhado em Ti, respeitar a todos os homens e amar em toda a extensão da palavra, minha família.

IX. Ensina-me Mestre, toda Tua bravura, destemor e honradez para defender a Liberdade e a Soberania da nossa Pátria, para que eu possa, a qualquer momento, ao Teu lado e contigo, lutar e morrer em sua defesa.

X. Ensina-me Mestre, tudo isso, enfim, sem vaidades, ostentações ou vãs palavras, que se perdem ao vento, mas simplesmente com Teus próprios exemplos, para que eu possa um dia, ser reconhecido como um verdadeiro Mestre-Maçom.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Entendendo a Anti-Maçonaria

As antimaçonarias são movimentos formados por fundamentalistas religiosos, políticos radicais e ex-maçons voltados para a crítica à Maçonaria. Sendo a Ordem Maçônica estruturada numa filosofia libertária, não condenamos a priori essas críticas. Entendemos que todo homem e toda associação (desde que se mantenham nos limites da lei) têm o direito ao livre pensamento. Todavia, analisando os fatos que deram origem à crítica sistemática, o estudioso acaba encontrando aspectos curiosos e relevantes dessa intolerância. Daí, prefiro colocar o termo antimaçonaria em itálico – e possíveis aspas! – uma vez que não existe bom-senso nem contraditório no radicalismo e na intolerância.

O primeiro ensaio para a criação de uma antimaçonaria foi perpetrado pelo escritor e jornalista francês Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand Pagès, mais conhecido pelo nickname Léo Taxil. Esse Taxil tornou-se conhecido na Europa entre 1870 e início do século XX por ter enganado as hierarquias eclesiásticas com falsas publicações (ditas “confissões”) sobre os maçons. A principal dessas “confissões” consistia no relato das desventuras de uma suposta Diana Vaughan perante uma imaginária “seita maçônica”.

 O livro de Taxil causou grande repercussão entre o clero católico e, apesar das sábias considerações e advertências do bispo de Charleston, denunciando as falcatruas e invencionices de Taxil, o Papa Leão XIII recebeu o falsário em audiência e acabou acreditando nele… Só mais tarde descobriu-se que Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand Pagès – aliás Léo Taxil, aliás Paul de Régis, aliás Adolphe Ricoux, aliás Samuel Paul, aliás Rosen, aliás Dr. Bataille… – era o esperto e oportunista, diretor do jornaleco “La Marotte” proibido na França por violar a moral e, por causa disso, Léo Taxil fora sentenciado a oito anos de prisão. Era o mesmo Adolphe Ricoux que publicava livros anti-católicos pintando a hierarquia eclesiástica como hedonista e sádica.

Esse homenzinho de nome grande e de vários nomes confessara muito mais em 1885: com carinha de anjo, dizia-se convertido ao catolicismo para ser solenemente recebido no seio da Igreja. Era o mesmo nanico moral Gabriel Antoine Jogand que, neste mesmo ano, ludibriara uma Loja Maçônica a aceitá-lo como Aprendiz – grau do qual ele nunca progrediu – e onde tentou utilizar a boa-fé dos irmãos Maçons para conseguir dinheiro e promover uma imprensa anticlerical. Um homem de mil caras esse Taxil. No ano seguinte Taxil achou por bem tornar-se o autor oficial da antimaçonaria promovendo a venda indiscriminada de novos livros e jornais sobre o assunto. Tomava dinheiro de uns para escrever e publicar contra outros. Taxil foi o mestre da cizânia. Aproveitou as alucinações de Eliphas Lévi (aliás abade Alphonse Louis Constant) e endereçou novas “acusações” contra a Ordem que inadvertidamente o iniciara. Despejou entre os franceses o café requentado da época dos Templários: os maçons seriam satanistas e adoradores de um ídolo com cabeça de bode chamado Baphomet.

Essa reinvenção do absurdo ficou conhecida como “Jogo de Taxil” ressuscitando a malfadada figura do bode como ícone (maldito) da Maçonaria. Entre 1886 e 1887, doente e com medo da morte, constantemente assombrado pelo diabo que ele mesmo criara – trêmulo diante da perspectiva do Juízo Onipotente – Taxil acabou por confessar suas fraudes. O nanico estava cansado de ludibriar as pessoas. Mas era tarde demais, o mal estava feito: a calúnia é semelhante à história daquele homem que subiu no alto de uma torre e espalhou um saco de penas sobre a cidade – impossível recolher todas… impossível recompor…

No século XX as bases das antimaçonarias assentaram-se em três elementos: as fantasias de Léo Taxil, o fanatismo religioso e os movimentos políticos totalitaristas: o salazarismo, o fascismo, o nazismo e o stalinismo. Quanto ao comunismo, o Quarto Congresso da III Internacional (novembro de 1922) estabeleceu “a incompatibilidade entre a Maçonaria e o Socialismo” tido como evidente na maioria dos partidos da anterior II Internacional.

A Maçonaria foi considerada como “organização do radicalismo burguês destinada a semear ilusões e a prestar seu apoio ao capital organizado em forma de Estado”. Em 1914 o Partido Socialista Italiano expulsou os maçons de suas fileiras e o Quarto Congresso recomendou ao Comitê Central do Partido Comunista francês a tarefa de liquidar, antes de 1º de janeiro de 1923, todos os vínculos do partido com alguns de seus membros e de seus grupos com a Maçonaria. Todo aquele que antes de 1º de janeiro de 1923 não declarasse abertamente e a público, através da imprensa do partido, sua ruptura total com a Maçonaria ficaria automaticamente excluído do Partido e sem direito a reafiliar-se no futuro.

Felizmente esse tipo de oposição foi revisto na segunda metade do século XX: a Maçonaria tem hoje mais de 300 Lojas em Cuba (Gran Logia de Cuba fundada antes da revolução – em 1859 – e mantida por Fidel Castro). Além disso, desde 1995 a Grande Loja da Rússia prossegue em seus trabalhos com Lojas sediadas em Moscou, St. Petersburg, Voronezh, Vladivostok, Yaroslavl, Kaliningrad, Novosibirski, Beliy Ritzar, Voronezh, Stavropal, etc… (fonte: List Of Lodges, Pantagraphprinting).

Em 1945 o nazismo impedira o funcionamento das Lojas Maçônicas na Alemanha. Nos países ocupados as Lojas foram queimadas e todos seus arquivos confiscados e queimados. O prejuízo para a história da Ordem foi incalculável. Os líderes da Maçonaria alemã foram sumariamente assassinados sob o pretexto de que a maçonaria mantinha ligações “ilícitas” com o judaísmo internacional. Outros foram mandados para campos de concentração, juntamente com suas famílias. Nossos irmãos eram obrigados a ostentar nas vestes a estrela de seis pontas que é, ao mesmo tempo, judaica e maçônica (Estrela de Davi).

Quanto ao fanatismo religioso, torna-se mais difícil analisá-lo nos dias de hoje. Muitos de seus “baluartes” estão na internet ocultos em matérias e sites anônimos. Do outro lado, a falta de estudo e pesquisa em vários segmentos da Ordem Maçônica propicia a esses adversários a formação de redes descontínuas e propositadamente confusas onde se misturam fatos e preconceitos. Apesar de assentarmos os trabalhos das Lojas sobre cânones da literatura sagrada (em nossa caso a Bíblia), o fanatismo religioso usa esses mesmos textos para condenar e desacreditar as instituições iniciáticas e o trabalho que realizamos em benefício da sociedade. Apegam-se num ou noutro deslize, numa ou noutra falha humana para condenar uma ideologia inteira que vem sobrevivendo dignamente durante séculos, com enormes sacrifícios e mesmo com a vida de seus membros. Isto sem falar no auxílio que dispensamos às demais instituições (religiosas e iniciáticas) e na defesa que lhes prestamos sempre que sintam ameaçadas.

-A Maçonaria é uma organização de homens sujeitos aos mesmos erros e imperfeições que acometem nossos detratores. Com uma diferença: não pretendermos ser infalíveis nem ocultamos nossos atos sob a capa da religiosidade.